A Fábrica da Criatividade apresenta um novo episódio de MÉTHODOS, a série documental dedicada aos processos de criação artística contemporânea. Este projeto original de conversas documentais convida o público a descobrir os bastidores da criação, acompanhando artistas em residência e revelando aquilo que antecede a obra final: as ideias, os ensaios, a experimentação, as metodologias e os processos que dão forma à criação artística.
Gravada no ambiente imersivo e experimental da Fábrica da Criatividade, a série oferece um olhar aprofundado sobre os mecanismos invisíveis da criação contemporânea, privilegiando o processo criativo e o diálogo entre artistas, espaço e comunidade.
Neste episódio, conversamos com Diogo Alvim sobre o projeto Solo, uma instalação performativa que cruza escultura, som e performance, propondo uma reflexão sobre a relação entre o objeto artístico, o espaço e a escuta.
Ao longo da conversa, o artista revela as metodologias que sustentam esta criação, concebida como um dispositivo performativo capaz de se transformar em função do lugar onde é apresentada. A peça parte de uma escultura sonora, uma coluna de som arrastada lentamente sobre diferentes pavimentos, o que torna audíveis as irregularidades, texturas e microconfigurações de cada espaço. Cada apresentação constitui, assim, uma nova interpretação da obra, onde o solo deixa de ser apenas suporte para se tornar matéria ativa da criação.
Mais do que uma performance, Solo propõe uma experiência de escuta atenta e de descoberta do espaço através do som, estabelecendo um diálogo contínuo entre materialidade e presença. A obra adapta-se a diferentes contextos e pode ser ativada em múltiplos formatos, envolvendo músicos, instrumentos e eletrónica, expandindo continuamente as suas possibilidades performativas.
Durante a residência artística na Fábrica da Criatividade, Diogo Alvim desenvolveu o projeto em colaboração com alunos da ESART, explorando as características específicas do edifício e dos seus pavimentos. Após dias de trabalho colaborativo, a peça foi apresentada em concerto e permaneceu, posteriormente, em formato de instalação, permitindo ao público estabelecer uma relação distinta com a obra e com o espaço do auditório.
Na parte final da conversa, o artista destaca a importância da experimentação, da adaptação ao lugar e da colaboração como elementos centrais do seu processo criativo, sublinhando o papel das residências artísticas enquanto espaços privilegiados para testar, desenvolver e transformar propostas artísticas.