A deputada municipal independente na Assembleia Municipal da Covilhã, Magna Lourenço, apresentou uma recomendação para a criação do Gabinete de Apoio ao Doente Oncológico da Beira Interior (GADOBI), desenhado para fornecer uma resposta estruturada e imediata aos doentes da região. A eleita revelou que a petição para a construção do Centro Oncológico alcançou as 3.487 assinaturas, estabelecendo agora a meta de 7.500 subscrições para forçar o debate em Plenário na Assembleia da República.
Num comunicado emitido a dia 12 de setembro de 2026, é detalhado que, do total de assinaturas recolhidas, 2.950 foram registadas numa plataforma online, 287 no site da Assembleia da República e 250 através de meios presenciais. O volume alcançado cumpre os requisitos legais que obrigam à publicação do documento no Diário da Assembleia da República, à audição dos peticionários e ao debate na comissão parlamentar competente.
Para atingir o novo patamar de 7.500 subscritores, a organização avançará com a recolha presencial num espaço próprio no Festival da Cherovia e no Mercado Municipal da Covilhã, em ações calendarizadas para os meses de setembro e outubro. A deputada emitiu também um repto aos autarcas dos municípios da Beira Interior para que estes assumam a representação da petição no parlamento assim que o objetivo numérico for validado.
A criação do GADOBI como estrutura de transição
A documentação apresentada clarifica que o planeamento e construção de um Centro Oncológico requer um período temporal alargado. Com o objetivo de mitigar as atuais carências operacionais, foi submetida, a 10 de setembro, a recomendação para a implementação do GADOBI. Esta estrutura autónoma de âmbito regional apresenta um orçamento anual estimado entre 75.500 e 91.000 euros e prevê-se a sua alocação institucional à Unidade Local de Saúde (ULS) Cova da Beira.
O gabinete funcionará segundo os parâmetros da “navegação do doente”, um modelo implementado inicialmente nos Estados Unidos em 1990, que garante o acompanhamento sistemático das pessoas sinalizadas em todas as fases da doença, desde o diagnóstico inicial até aos processos de reabilitação.
A intervenção da estrutura divide-se em várias categorias operacionais, centralizando serviços de apoio ao transporte pontual, acompanhamento a exames, apoio alimentar em deslocações prolongadas, assistência jurídica na validação de direitos laborais e sociais, e intervenção domiciliária para a mitigação de risco social. A equipa base requerida para a operacionalização integra um coordenador técnico e um assistente técnico, complementados por uma rede de parceiros em regime de protocolo e voluntariado.
A proposta especifica que o GADOBI assume uma natureza de coordenação e articulação, não exercendo competências clínicas, administrativas ou sociais que já se encontram atribuídas a outras instituições. A nova valência operará de forma estritamente complementar, não substituindo as funções do Serviço Nacional de Saúde, das autarquias ou o trabalho desenvolvido pela Liga Portuguesa Contra o Cancro no território.