Opinião: António Rebordão | Os Meninos de Ontem
OS “MENINOS DE ONTEM” TAMBÉM AMAM
Por Jornal Fórum
Publicado em 19/03/2026 09:00
Opinião

A velhice é um tema delicado, que exige muito cuidado e atenção. Isso porque, apesar de todos os avanços tecnológicos e da ciência, ela ainda é muito ignorada e esquecida pela sociedade, em particular por quem nos governa.

Por isso, é fundamental que sejamos capazes de oferecer aos nossos “meninos de ontem” o máximo de conforto, carinho e dedicação possíveis.

E nada melhor que o amor da família para dar às pessoas mais velhas a segurança e o apoio que elas precisam para enfrentar os desafios da velhice.

Quando se fala em família, muitas vezes estamos a referirmo-nos ao grupo de pessoas ligadas por laços de sangue (pais, filhos, irmãos, avós, etc).

No entanto, a família pode também ser entendida como um grupo de pessoas que se amam e se preocupam mutuamente, independentemente de seus laços biológicos.

É nesse sentido que estamos nos referindo aqui, pois acreditamos que todas as pessoas, inclusive os idosos, merecem o amor e o cuidado que só a família pode oferecer.

De acordo com dados obtidos, o amor da família é fundamental para a saúde mental e o bem-estar dos idosos. Os resultados desses mesmos dados revelaram que a presença de membros da família ao redor de um idoso pode ajudá-lo a contar com um suporte psicológico que ajuda a enfrentar os desafios da velhice.

Além disso, estudos anteriores também mostraram que a presença de familiares pode ajudar a reduzir o risco de depressão, melhorar a qualidade de vida dos idosos e até mesmo prolongar suas vidas.

O amor da família é essencial para os idosos, pois oferece-lhes não apenas segurança e conforto, mas também uma conexão com o mundo exterior.

Quando os idosos se sentem amados e cuidados, eles são capazes de contar com um suporte emocional que pode ajudá-los a enfrentar as adversidades da velhice. Além disso, o amor da família também pode ajudar os “meninos de ontem” a sentirem-se menos solitários e mais conectados com o mundo ao seu redor, o que pode ter um efeito positivo sobre a sua saúde mental.

O amor da família também pode ajudar os séniores a enfrentar as mudanças físicas e emocionais que são inevitáveis ao envelhecer. Por exemplo, a perda de memória e a diminuição da independência podem ser particularmente difíceis para os idosos.

No entanto, a presença de membros da família ao seu redor ajuda-os a enfrentar esses desafios, oferecendo-lhes um sentimento de segurança e apoio.

Apesar de todos os benefícios que o amor da família pode trazer para os idosos, muitas vezes eles são rejeitados ou ignorados pelos membros mais jovens do agregado.

Isso é particularmente verdadeiro para aqueles que não têm filhos ou netos que possam cuidar deles. Por isso, é importante que todos entendamos que os idosos são parte essencial da família e que eles merecem todo o amor e carinho que podemos oferecer.

Além disso, a presença dos mais velhos na família também pode trazer muitos benefícios para as pessoas mais jovens. Por exemplo, porque eles têm muito conhecimento, sabedoria e experiência que podem ajudar os mais jovens a enfrentar os desafios da vida.

A sua presença pode ajudar a criar um ambiente acolhedor e amoroso na família, incentivando os membros mais jovens a serem mais gentis e compassivos com os outros.

Fica, assim, concluído que o amor da família é essencial para os idosos.

Ele fornece-lhes segurança, conforto e apoio emocional, o que ajuda a enfrentar os desafios da velhice. Além disso, a presença dos idosos na família também traz muitos benefícios para os membros mais jovens, como o aumento da gentileza e da compaixão.

É, por isso, importante que todos entendamos a importância do amor da família para os idosos e façamos o possível para oferecer a eles toda a atenção e cuidado que merecem.

Em Portugal, como em muitos outros países na Europa e não só, a população de idosos está a aumentar cada vez mais. A expectativa é que, em 2050, o país tenha um número bastante elevado de pessoas na “melhor idade”; uma projeção de 72 idosos para cada 100 jovens, segundo dados do Serviço Nacional de Saúde.

Dessa forma, devemos reconhecer o quanto antes a importância dos idosos na sociedade e fazer com que o carinho e o respeito que merecem seja uma tarefa diária de cada um de nós. Afinal, com toda a sabedoria e “bagagem” de experiência, eles ensinaram-nos e deram-nos lições de vida e cuidaram de nós enquanto precisávamos. Agora é o momento de retribuir o amor e tudo o que aprendemos com eles.

Conheça, a seguir, algumas formas de demonstrar amor e carinho ao idoso no seu dia a dia:

1) Procure tirar um tempo da sua rotina para conversar com os “meninos de ontem”. Com calma e paciência, oiça as suas sábias palavras e as experiências de vida que têm para compartilhar. Ouvir as suas histórias sempre nos ensinará algo de valor!

2) Demonstre carinho e abrace, sempre que puder, os seus avós. Se eles moram longe, visite-os frequentemente ou mantenha sempre contato para dizer o quanto eles são importantes na sua vida.

3) Muitas vezes pensamos que uma relação entre pessoas jovens e idosos tem alguns obstáculos. No entanto, algumas atividades familiares podem ajudar a estreitar esse vínculo. Cozinhar juntos, passear no parque, ir à igreja e ver TV são algumas das atividades que trarão benefícios às duas gerações.

4) Os avós têm um carinho especial e fazem de tudo para agradar os seus pequenos netinhos. Dessa forma, esse elo de amor e afeto deve ser cultivado e incentivado a cada dia. Promova atividades entre os dois, deixe seus filhos serem bastante mimados e, claro, alimentados pelas deliciosas refeições que a vovó prepara. São esses pequenos gestos que marcarão, no futuro, as melhores lembranças entre avós e netos.

5) Muitos idosos não têm a mesma sorte de estar num ambiente familiar acolhedor. Dessa forma, uma boa sugestão para dar carinho e atenção a cada um deles é reservar um tempo para visitar asilos e casas de repouso da sua cidade. Geralmente são velhinhos que necessitam de companhia, de afeto ou apenas uma conversa para se sentirem úteis e queridos. Esse gesto reconfortará o seu coração e o de quem precisa de si!

6) Cuidar dos pais já idosos deve ser algo natural, um gesto de respeito e admiração com quem amamos. Devemos evitar que as pessoas mais velhas fiquem em segundo plano e melhorar, de alguma forma, a sua qualidade de vida para que tenham um envelhecimento mais ativo e saudável.

7) Com o tempo, a visão dos nossos vovôs e vovós já não é mais a mesma de antigamente. Quando tiver algum tempo livre, leia alguns livros e ajude-os a continuar com seus hábitos de leitura.

8) Incentive-os a praticar desporto adequado à idade ou ter horas de lazer, como cursos, caminhadas, hidroginástica, artesanato ou outra atividade que dê prazer e faça a pessoa sentir-se útil e em contato com outras pessoas.

9) Visite ou seja voluntário numa qualquer instituição vocacionada para esta facha etária para que os nossos séniores tenha a oportunidade de ampliar suas perspetivas de participação social e de vivência cultural em atividades como artesanato, coral, artes, danças, jogos, oficinas gourmet, palestras, visitas culturais e passeios festivos.

10) Nunca se esqueça: o jovem de hoje será o idoso de amanhã!

Sabemos que o amor não tem idade. Mas é sempre bom lembrar que quando um parceiro tem 20, 30, anos de diferença, cedo ou tarde, a saúde e a disposição podem ser um fator de interferência na relação entre ambos.

Cientes de que a ciência e os avanços da tecnologia estão a favor da dinâmica no processo de envelhecimento, contamos com benefícios que retardando o envelhecimento e nos ajudam, inclusive a manter a potência sexual.

Vale ressaltar que, as Doenças Sexualmente Transmissíveis, como o HIV/ Aids, teve um crescente aumento em 2020, com 38,5% do coeficiente de mortalidade por Aids em idosos, de ambos os sexos. Isso, muitas vezes, é decorrente da cultura da terceira idade que tem no preservativo, um tabu.

Observa-se, também, o desgaste emocional do parceiro mais velho, que está sempre à procura da melhor aparência estética, além do consumo de medicamentos que possam interferir na saúde do idoso, como o uso de fórmulas que aumentam a potência sexual, que podem causar queda de pressão, além de poder vir a ter um acidente cardiovascular.

É sempre importante que a família do companheiro/parceiro com mais idade, esteja sempre atenta às mudanças de comportamento, uma vez que, o idoso tende a ficar mais sensível e, quando se trata de “amor”, é importante que os familiares mais próximos estejam atentos a qualquer descuido com a saúde.

Vale a pena frisar ainda o quanto é importante que o idoso se mantenha socialmente ativo, sentindo-se amado e valorizado e que nem todas as relações são tóxicas e podem causar problemas ao cidadão sénior ou interferir no relacionamento, mesmo depois dos problemas passíveis da terceira idade, apareçam.

Muitos idosos são extremamente felizes, cuidados, bem aceites e amados pelos seus parceiros mais jovens, quebrando o julgamento social que se estende ao relacionamento amoroso com a diferença de idade.

Muitas famílias optam por ter um cuidador para o idoso, mesmo que ele inicie um novo relacionamento com alguém mais jovem, uma vez que, priorizam o tratamento individualizado e especializado de uma instituição voltada para o público da terceira idade.

A linguagem oral é uma das mais antigas formas de comunicação existentes. Podemos encontrar pessoas contando e repetindo histórias nas calçadas, nas praças, na casa dos parentes, assim como nos tempos antigos era comum as pessoas se reunirem à volta do fogo para contar histórias.

Quem nunca ouviu de alguém da família uma história engraçada ou curiosa passada de geração para geração? Quando o mais velho se vai, lembramos as suas histórias, e essas memórias inesquecíveis é que tornam a sua família única.  Ao relatar as suas experiências de vida, a pessoa faz mais do que reviver histórias, que ele reconstrói, repensa com imagens e ideias de hoje, as experiências que já fazem parte do passado.

Vale a pena ser “velhinho” quando a vida foi vivida com amor, com afeto, com carinho, com fraternidade e, principalmente com a família sempre muito presente e muito próxima.

Assim, dá gosto chegar à quarta idade…

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